6 de abril de 2010

Gotas do rio

Retrocedo ao lugar onde no tempo, o passado te trouxe a mim. Sinto e revejo cada imagem. Momentos que ficaram em datas que nem se quer me lembro dos números. Minha cabeça pesa como um grande livro de várias memórias, mas apenas uma via de inspiração. Você. A chuva cai no fim do dia. Ela me traz a necessidade de fechar meus olhos para sentir sua luz em cada gota fria. São como milhões de gotas todos aqueles momentos. Percebo e observo e por mais que a limitação da minha mente física me impeça de lembrar tudo, eu sinto toda necessidade, trago todo sentido sem razão obvia; são perceptíveis por cada linha que olho e não vejo. A utopia transcende meus sonhos quando percebo que observo. Os minutos param pra me aguardar. Giro em torno de você. Eu havia esquecido que tudo começou a flutuar, boiando assim, como numa bóia descendo por uma correnteza de um rio que eu vi nascer; dês da pequena descida de água naquelas pedras secas, até à proporção que hoje toma conta do controle e por si só se movimenta. E cada ondulação e curva feita pelas águas, dobras e ramificações pelo leito foram determinadas por um tempo no espaço, dessa vida ao seu lado. Assim como a correnteza do rio, meu pensamento corre em velocidade imensurável. Como se espera pelo sol do ciclo da água. Essa luz que comanda o círculo fez eternos esses sentidos. Silenciosamente volto ao presente; contemplo, mas abro meus olhos. 


Victor Silveira do Carmo

1 Reações:

Rondinelli Fortalesa disse...

Que profundo isso hein. Confesso que me perdi um pouco, não sei se era uma pessoa apaixonada por alguém ou apenas alguém como eu mergulhado num fluido de sonhos. Gostei.

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