20 de fevereiro de 2010

Viabilidade



Encontrar as palavras se torna difícil, não pela existência delas, mas talvez por uma forma diferente sentida em mim; pela necessidade de trazer à luz dos olhos o contexto exato, formando assim um mapa. São meus tesouros, mesmo desconhecendo o caminho. É um percurso que outra vez se vai por entre os dedos; e minhas mãos estão fechadas. E eu só preciso dizer, tendo a certeza de que não verei uma reação a não ser em mim. O longe me leva cada vez para mais perto do inicio, e o jogo começou. As cartas estão sobre a mesa, os olhares são precisos e certeiros, por mais que incertos. A mente comanda cada jogada focado em um único objetivo: A vitória. Eu observo e não entendo os motivos para tal fim. Apenas posso sentir. Mesmo estando na mesa, não estou nesse jogo, e me sinto pior do que se tivesse perdido. Minha presença não é notada, sendo apenas uma percepção insuficiente no espaço. Logo após a classificação, as cartas são reorganizadas; e talvez se inicie sucessivamente uma nova partida. Mas eu fecho os meus olhos. Escondo o medo partindo de um sorriso infundado, sendo o único empecilho a direção.  Chego ao final. É como ver o fim de uma tarde ensolarada alternando as cores do céu, trazendo aos olhos de quem vê um brilho diferente, mas não deixando de ser o fim. O fim do dia. E o lado se escurece; a coragem se ofusca por diante da lembrança de que eu sou diferente igual a todo mundo. Ser normal é viver uma condição de dependência explosiva interior. Ser igual, é diferente, e a minha é uma sutil oscilação despercebida por quem passa ao meu lado. E por mais que eles me digam: A não aceitação alheia é um casulo onde pessoas fracas se escondem com seus medos, ficando propensas a morrerem só. Viabilizo em minha mente a seguinte resposta: Talvez se dá pela naturalidade entre assumir uma prisão existencial. Não deixando uma possível força auto sustentada pelo ego, maquiar o que deveria ser visto, de igual modo natural a todos. Não é mais um hábito disfarçado por um ação. Pra mim se torna VIVER. 

9 Reações:

Bruno Batiston disse...

"Mesmo estando na mesa, não estou nesse jogo, e me sinto pior do que se tivesse perdido."

É, bem isso.
Gostei das palavras.

Drigo disse...

gostei das palavras minino!

Lara da silveira disse...

Nossa, amei! parabens otimo seus textos, show de bola. continue smp assim :) sucesso, beijao

Paulo Veras disse...

Olá!

Primeiro, obrigado por ter lido um dos meus blogs e ter comentado. Principalmente por ser um blog sobre política. A maioria dos jovens não gostam muito do tema. Na verdade, acho que a maioria das pessoas não gosta muito do tema. Mas eu amo. E tento elaborar minhas crônicas de forma a deixar o assunto o mais delicioso possível.

Segundo, fiquei me perguntando como você achou aquele blog. Eu agradeceria se pudesse me respondê-lo.

Terceiro, vim aqui só para fazer o agradecimento acima. Mas resolvi parar para ler susa postagens e me viciei. Acho que você escreve muito bem. De uma forma bastante sentimental. Parabéns!

Por fim: "Não deixando uma possível força auto sustentada pelo ego, maquiar o que deveria ser visto, de igual modo natural a todos. Não é mais um hábito disfarçado por um ação. Pra mim se torna VIVER." É um trecho de uma preciosidade incrível, porque é exatamente assim que vejo a vida social hoje em dia.

Bom, é só. Abraços!

CPessoa disse...

Vim retribuir a visita e... nossa!
Você escreve muito bem rapaz. Somando-se a isso o fato de que eu curto muito textos epifânicos e que seu blog é lindo (que inveja haha) posso dizer com crtz que valeu a pena ter vindo.
Passarei aqui mais vezes pra ver o que você tem pra dizer, certo?
Abraços,
CP.

Erica Ferro disse...

Chamo de VIVER o fato de ser verdadeiramente o que se é.

Tu tens o dom de falar metaforicamente. Gostei!

Enrique Coimbra disse...

É mesmo. Eu fico espantado como alguém, que parece tão novo, tem palavras tão lindas guardadas. E sentimentos tão belos para expor. Eu não sei o porquê, mas seus textos me lembram aquelas garrafas transparentes, feitas de vidro, derramando leite num fundo branco.

E ainda ganhou um selo. Pegue lá no meu blog, cara.

Tiabetok disse...

adorei o blog...super demais...
o post que mais gostei (por enquanto ) foi o ideologias não morrem, ficam em coma...
gostei muito e estou seguindo...
bjos

luís filipe pereira disse...

Meu caro,
eis mais uma excelente reflexão, num texto, de pendor ensaístico, com matizes metafóricos de belo recorte imagético, com um interessante eixo existencial, li-o como um texto de busca, procura de uma via para o Ser além da multidão formatada para a vã vitória.
abraço
luís filipe pereira

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